Editorial n. 3


Publicado no Editoriais

Verba volant scripta manent. A tradução desse dito latino é fácil: as palavras voam, os escritos permanecem. Era a constatação da fugacidade da expressão oral, em oposição à possível perenidade do que se escrevesse em pergaminho ou pedra.

A moderna tecnologia retirou desse dito o que nele havia de verdade. Som e imagem podem ser gravados, distribuídos pela Internet, ouvidos e repetidos tantas vezes quanto se queira. Foram afastadas as duas debilidades da expressão oral: a impossibilidade de repetição e a fugacidade.

Não se sabe ainda o grau de impacto que essa nova tecnologia irá produzir. Voltaremos, de alguma forma, à época pré-literária? A leitura de textos escritos tornar-se-á hábito apenas de misoneistas?

No campo do ensino, a mudança não será tão profunda, porque a aula expositiva nunca perdeu importância. Por alguma razão misteriosa, parece que a explicação oral é sempre mais clara e mais eficiente do que a decifração de letras. Uma das razões será, talvez, a espontaneidade do falar, ainda que com seus defeitos, em contraposição à artificialidade do texto, escrito, burilado e reescrito até a versão final. O que tem isso a ver com processo civil?

Nada. Mas é o que me ocorre dizer, agora que, neste espaço, inauguramos, com aula de Mariângela Guerreiro Milhoranza, uma nova seção: a de vídeos. É uma nova ferramenta de ensino, que precisamos utilizar e aprender a utilizar.

Porto Alegre, 18 de junho de 2010
Prof. José Maria Rosa Tesheiner
Editor

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